Documento da Sesau organiza ações preventivas diante de nova probabilidade de seca, queimadas e piora na qualidade do ar entre 2026 e 2027
O governo de Rondônia deu um passo importante na preparação do estado para os próximos meses de estiagem. Por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), foi elaborado o Plano Operacional Integrado de Contingência Climática em Saúde, um documento que organiza antecipadamente as ações que a rede estadual deverá adotar diante dos possíveis efeitos do novo ciclo do fenômeno El Niño, previsto para o período entre 2026 e 2027. A iniciativa busca reduzir os impactos de eventos climáticos extremos sobre a população, especialmente nos meses em que historicamente Rondônia enfrenta maior escassez hídrica e aumento de queimadas.
Experiência de 2024 orienta novas medidas preventivas
O Governo de Rondônia, por meio da Sesau, elaborou o plano com o objetivo de garantir a assistência necessária à população e reduzir os impactos dos eventos climáticos na saúde, considerando a experiência de 2024, quando o estado enfrentou a menor cota já registrada do Rio Madeira, um dos maiores volumes de queimadas dos últimos 14 anos e um aumento de mais de 100% nos atendimentos de crianças com problemas respiratórios. Esse período serviu como referência para dimensionar a estrutura de resposta que agora está sendo formalizada, já que os efeitos sobre a saúde infantil e respiratória foram sentidos de forma expressiva em diversas regiões do estado.
Ainda de acordo com o documento, a previsão é de chuvas abaixo da média nas regiões noroeste e central de Rondônia, condição que em anos anteriores contribuiu para períodos de seca, aumento das queimadas e piora da qualidade do ar. Essa combinação de fatores é o que motiva a antecipação das medidas, já que a experiência recente mostrou que a resposta tardia costuma sobrecarregar o sistema de saúde justamente nos meses de maior estiagem, entre agosto e outubro. ROLNEWS
O planejamento também leva em conta dados técnicos mais recentes sobre o comportamento climático da região. Segundo os dados de monitoramento citados no documento, existe entre 97% e 100% de probabilidade de o El Niño persistir até o início de 2027, o que reforça a necessidade de uma estrutura de resposta já organizada antes do agravamento do quadro. Com esse cenário, a Sesau optou por antecipar decisões que, em anos anteriores, eram tomadas apenas quando os efeitos já estavam em curso.
Atenção prioritária às populações mais vulneráveis
Um dos pontos centrais do plano é a definição de grupos prioritários de atendimento. O plano estabelece atenção prioritária às populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, como indígenas, ribeirinhos e quilombolas, grupos que historicamente enfrentam maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Essa definição busca corrigir uma desigualdade estrutural, já que comunidades tradicionais costumam estar em áreas de mais difícil acesso justamente quando os rios atingem cotas mais baixas, o que compromete o transporte fluvial usado para levar equipes e insumos até essas localidades.
Para o secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira, a elaboração do documento reforça uma mudança de postura na gestão pública estadual. Segundo ele, “estamos empenhados em trabalhar cada vez mais com a prevenção e o cuidado com a população.” A fala resume o espírito do plano, que prioriza ações antecipadas em vez de respostas emergenciais tomadas apenas quando a crise já está instalada, um modelo que vinha sendo cobrado por gestores municipais nos últimos anos.
Outro aspecto relevante do documento é o reforço logístico previsto para os períodos mais críticos. O plano prevê ações para períodos de seca, queimadas e baixa qualidade do ar, além de reforçar a logística de medicamentos e o atendimento a populações vulneráveis. Essa preocupação com a logística de insumos é fundamental em um estado com dimensões continentais, onde muitos municípios dependem do transporte fluvial ou aéreo para receber suprimentos médicos durante a estiagem. Informanahora
Resultados de 2025 embasam nova estratégia estadual
O plano não parte do zero. Ele se apoia em resultados obtidos no ano anterior, quando a gestão estadual já havia adotado medidas de combate a queimadas de forma mais coordenada. O documento foi elaborado como resposta estruturada aos impactos climáticos que Rondônia já enfrentou: em 2024, 18 municípios do estado tiveram situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal, enquanto em 2025, com atuação mais coordenada, Rondônia registrou uma redução de 91,4% nos focos de calor, a maior queda entre os estados brasileiros. Esse resultado é citado internamente como prova de que o planejamento antecipado reduz efetivamente os danos ambientais e, por consequência, os impactos sobre a saúde da população.
A posição de Rondônia também se destaca no cenário nacional. O estado está entre os oito estados brasileiros que já possuem um planejamento específico para enfrentar os impactos das mudanças climáticas na saúde. Isso coloca Rondônia à frente da maioria das unidades federativas nesse tipo de preparação, em um momento em que o tema ganha cada vez mais espaço nas políticas públicas de saúde em todo o país. TRIBUNA TOP
Documento ainda passa por validação com municípios
Apesar de já estar concluído, o plano ainda não está em vigor de forma definitiva. Atualmente, o plano encontra-se concluído e passa por um processo de validação e discussão com os municípios de Rondônia. A previsão é que o documento seja apresentado para aprovação na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) ainda este ano. Essa etapa é considerada essencial, já que a implementação eficaz das medidas depende diretamente da adesão das prefeituras, responsáveis pela atenção básica e pela rede municipal de saúde na ponta.
A expectativa da Sesau é que, uma vez validado, o plano funcione como referência permanente para os próximos ciclos climáticos, não se restringindo apenas ao período de 2026 e 2027. Rondônia já vive de forma recorrente os efeitos da estiagem amazônica, e a criação de um protocolo formal tende a agilizar a tomada de decisão em futuras situações de emergência, evitando que o poder público precise reagir apenas quando os indicadores de saúde já estiverem em elevação acentuada.
Para a população, a expectativa é que o plano se traduza em ações concretas nos próximos meses, como reforço de estoques de medicamentos respiratórios, campanhas de orientação em áreas de risco e monitoramento mais próximo das comunidades ribeirinhas e indígenas. A experiência recente do estado mostra que a antecipação de medidas tende a reduzir significativamente o número de internações relacionadas à fumaça das queimadas e à baixa qualidade do ar, um problema que se repete todos os anos no auge da estiagem amazônica.
Fontes:
- https://www.rondoniagora.com/geral/sesau-cria-plano-para-enfrentar-impactos-das-mudancas-climaticas-na-saude-em-rondonia
- https://www.rolnews.com.br/noticia/sesau-cria-plano-para-enfrentar-impactos-das-mudancas-climaticas-na-saude-em-rondonia
- https://informanahora.com.br/noticia/10752/sesau-cria-plano-para-enfrentar-impactos-das-mudancas-climaticas-na-saude-em-rondonia.html

