Muitas mulheres relatam maior dificuldade para emagrecer depois de iniciar o uso de determinados anticoncepcionais, mesmo mantendo a mesma rotina de alimentação e treino de antes. Essa percepção tem base real, embora o efeito varie bastante conforme o tipo de método contraceptivo utilizado e as características individuais de cada organismo.
Para Lucas Peralles, nutricionista esportivo em São Paulo, entender como os hormônios presentes em alguns anticoncepcionais interferem no metabolismo ajuda a ajustar expectativas e estratégia, sem que isso signifique abandonar o método escolhido em conjunto com o médico responsável, nem culpar a força de vontade por um efeito que tem base fisiológica real.
Descubra como essa relação pode influenciar o processo de emagrecimento.
Como hormônios contraceptivos podem influenciar o metabolismo?
Alguns anticoncepcionais, especialmente os que contêm determinadas progestinas, podem estar associados à retenção de líquido, aumento discreto de apetite e alterações na sensibilidade à insulina em algumas mulheres. Esses efeitos variam significativamente entre indivíduos e entre diferentes formulações disponíveis no mercado, o que explica por que duas pessoas usando o mesmo método podem ter experiências completamente diferentes.
Lucas Peralles esclarece que nem toda dificuldade para emagrecer relatada durante o uso de anticoncepcional está necessariamente ligada ao hormônio em si, já que fatores como mudança de rotina, estresse e outros aspectos de vida frequentemente coincidem com o início do uso do método contraceptivo, dificultando isolar a causa real por trás da dificuldade percebida.
Retenção de líquido: um fator que confunde a percepção de progresso
Lucas Peralles explica que o aumento de peso percebido logo após iniciar um anticoncepcional muitas vezes está mais relacionado à retenção de líquido do que a ganho real de gordura corporal. Essa diferença é importante, porque a estratégia para lidar com retenção de líquido é bem diferente da estratégia usada para reduzir gordura corporal, e confundir as duas situações costuma levar a ajustes alimentares desnecessários ou até contraproducentes.

Nesses casos, o acompanhamento de medidas corporais e composição, quando disponível, oferece uma visão mais precisa da situação do que apenas o peso na balança, que pode oscilar por retenção hídrica sem refletir mudança real na composição corporal da paciente.
O que considerar ao ajustar a estratégia alimentar?
Aumentar levemente a ingestão de água e reduzir o consumo de sódio em excesso pode ajudar a minimizar sintomas de retenção de líquido associados a alguns métodos contraceptivos, sem que isso signifique cortar sódio de forma extrema, o que traria outros problemas para o organismo, já que esse mineral cumpre funções importantes no equilíbrio hídrico e na função muscular.
Qualquer ajuste alimentar mais específico deveria considerar o perfil hormonal individual, a saúde metabólica e outros fatores de saúde da paciente, o que exige avaliação individualizada em vez de aplicar recomendações genéricas encontradas na internet sobre esse tema específico.
Por que a decisão sobre o método contraceptivo é sempre médica?
Trocar ou interromper o uso de um anticoncepcional nunca deveria ser uma decisão baseada apenas na dificuldade percebida para emagrecer, já que esse método também cumpre funções importantes de saúde reprodutiva e, em alguns casos, controle de outras condições médicas. Qualquer ajuste nesse sentido precisa ser conversado com o médico responsável pela prescrição, que pode avaliar alternativas mais adequadas ao perfil de cada paciente, se necessário.
Lucas Peralles ressalta que o papel da nutrição, nesses casos, é ajustar a estratégia alimentar considerando o contexto hormonal da paciente, sem nunca substituir a avaliação médica sobre qual método contraceptivo é mais adequado para cada pessoa especificamente.
O Instagram de Lucas Peralles traz conteúdos sobre saúde metabólica e nutrição aplicada. Para acompanhar mais sobre o tema, siga @nutriperalles.

