Estudos técnicos em Ariquemes e Costa Marques buscam identificar potencial econômico de elementos usados em eletrônicos, motores e sistemas de energia
Rondônia tem ampliado nos últimos meses os estudos voltados à identificação do potencial de terras raras em seu território, um grupo de elementos minerais considerados estratégicos para diversos setores da indústria tecnológica mundial. As pesquisas em andamento estão concentradas principalmente em duas regiões associadas historicamente à exploração de cassiterita: a área de Bom Futuro, no município de Ariquemes, e o Maciço Granítico Ouro Fino, em Costa Marques, no sudoeste do estado.
Apesar do avanço das investigações, os pesquisadores envolvidos nos estudos fazem questão de reforçar que ainda não há confirmação de jazidas economicamente viáveis nem produção comercial contínua desses minerais em território rondoniense. A etapa atual do trabalho se concentra justamente em aprofundar o conhecimento técnico sobre as áreas já identificadas como promissoras, um processo que costuma levar anos até resultar em exploração comercial efetiva.
Rejeitos de cassiterita ganham nova atenção em Ariquemes
A região de Bom Futuro concentra uma das frentes mais avançadas dessa investigação tecnológica. O interesse dos pesquisadores está relacionado principalmente à possibilidade de reaproveitamento de materiais que permanecem nos rejeitos gerados décadas atrás pela exploração de cassiterita na região, um mineral historicamente extraído em grande escala no local.
Os estudos contam com cooperação técnico científica do Serviço Geológico do Brasil, órgão federal responsável pelo mapeamento geológico do país, que tem buscado ampliar o conhecimento sobre a composição mineralógica da área e identificar elementos que possam apresentar valor econômico relevante. Essa possibilidade de reaproveitamento de rejeitos chama atenção da comunidade técnica porque representaria uma forma de agregar valor tecnológico a materiais antes descartados como resíduos da atividade mineral.
Interesse internacional já existe desde 2023
O potencial da região de Bom Futuro não passou despercebido no cenário internacional. Segundo informações técnicas divulgadas, a Canada Rare Earth Corporation demonstra interesse na área desde 2023, o que reforça a atenção de players globais sobre as possibilidades relacionadas aos minerais estratégicos encontrados em Rondônia. Esse tipo de interesse costuma anteceder investimentos mais robustos em pesquisa geológica detalhada, etapa fundamental antes de qualquer definição sobre viabilidade de exploração em escala comercial.
Sudoeste do estado também é alvo de investigação técnica
Além de Ariquemes, o Maciço Granítico Ouro Fino, em Costa Marques, também está no radar dos pesquisadores. Levantamentos realizados na região identificaram mineralizações e áreas consideradas favoráveis à ocorrência de terras raras, ampliando o mapeamento geológico do sudoeste rondoniense. Ainda assim, os resultados obtidos até o momento não são suficientes para confirmar a existência de uma reserva economicamente explorável na área.
A identificação de minerais no subsolo representa apenas uma das etapas necessárias dentro de um processo mais amplo de avaliação. São necessários estudos complementares para determinar com precisão a quantidade, a qualidade e a concentração dos elementos presentes, além dos custos envolvidos em uma eventual extração em larga escala, o que inclui questões logísticas e ambientais próprias da região amazônica.
Por que as terras raras importam para a tecnologia moderna
As terras raras ganharam relevância mundial justamente pela aplicação de seus elementos em diferentes produtos e tecnologias que fazem parte do cotidiano contemporâneo. Esses minerais podem estar presentes em equipamentos eletrônicos, sistemas de geração de energia, componentes industriais, motores elétricos e outras aplicações consideradas essenciais para a economia moderna, da fabricação de smartphones a sistemas de energia renovável.
Por esse motivo, diferentes países e empresas ao redor do mundo têm ampliado investimentos em pesquisas voltadas à identificação de novas reservas, além do desenvolvimento de tecnologias capazes de tornar mais eficiente tanto a extração quanto o processamento desses elementos. Nesse contexto global, a eventual confirmação de reservas economicamente viáveis em Rondônia poderia abrir novas possibilidades tanto para o setor mineral quanto para a economia tecnológica do estado.
Desafios tecnológicos ainda precisam ser superados
Apesar dos avanços registrados até aqui, o cenário ainda exige cautela por parte dos pesquisadores. A existência de ocorrências minerais identificadas não significa, necessariamente, que uma determinada área poderá ser transformada em uma operação de mineração economicamente sustentável no curto prazo. No caso específico de Rondônia, os estudos ainda precisam determinar se as concentrações já mapeadas possuem quantidade e qualidade suficientes para justificar uma exploração em escala comercial.
Essa avaliação técnica também passa por questões relacionadas à tecnologia disponível para a extração e separação dos elementos, um processo industrial complexo que exige equipamentos e conhecimento especializado, além dos custos de produção, da infraestrutura logística disponível na região e dos impactos ambientais associados a uma eventual atividade mineradora em área de floresta amazônica.
O que vem a seguir para as pesquisas geológicas
Por enquanto, o estado possui ocorrências confirmadas e áreas consideradas promissoras do ponto de vista técnico, mas ainda não conta com uma produção comercial consolidada de terras raras. O avanço contínuo das pesquisas representa, no entanto, uma oportunidade concreta de ampliar o conhecimento sobre o potencial geológico de Rondônia, tanto para identificar novos recursos minerais quanto para desenvolver formas mais eficientes de aproveitamento de materiais já associados à atividade de mineração no estado.
Caso os estudos futuros confirmem a existência de concentrações economicamente viáveis, Rondônia poderá ganhar maior espaço nas discussões nacionais sobre exploração de minerais estratégicos para a indústria tecnológica brasileira. Até que essa confirmação técnica aconteça, a prioridade dos pesquisadores segue sendo a realização de novas pesquisas geológicas e análises laboratoriais que permitam determinar, com segurança científica, o real potencial dessas áreas do subsolo rondoniense.
Fontes:
https://informanahora.com.br/noticia/10894/rondonia-amplia-pesquisas-e-mira-potencial-de-terras-raras-no-estado.html
https://newsrondonia.com.br/noticias/2026/09/06/rondonia-amplia-pesquisas-sobre-potencial-de-terras-raras

