Prédio comprado pela Prefeitura e doado à Unir abre o térreo para consultas e exames, com encaminhamento feito pelas UBS.
O prédio do futuro Hospital Universitário de Porto Velho começa a receber pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no dia 28 de setembro, antes da implantação definitiva da unidade. O anúncio foi feito na sexta-feira (18), em coletiva de imprensa realizada no próprio edifício, na Rua João Goulart, número 2164, no bairro São Cristóvão. A novidade interessa a quem espera por uma consulta especializada na capital e levanta dúvidas práticas: quais atendimentos estarão disponíveis, como o paciente chega até lá e o que acontece depois da fase inicial. O texto reúne as respostas divulgadas pelos órgãos envolvidos.
O que será oferecido logo no início
Na primeira etapa, o atendimento se concentra em três especialidades: oftalmologia, cardiologia e ortopedia. Além das consultas, a estrutura fará exames de diagnóstico por imagem e cirurgias eletivas de pequena complexidade, isto é, procedimentos programados que não exigem grande aparato hospitalar. A lista de exames divulgada inclui raio-X, eletrocardiograma, tomografia, ultrassonografia e exames laboratoriais, o que amplia o serviço para além da consulta com o especialista.
O funcionamento seguirá o modelo chamado Oferta de Cuidados Integrados (OCI). Na prática, o paciente poderá passar, em uma mesma jornada de atendimento, pela consulta e pelos exames necessários para investigar o problema de saúde. A proposta divulgada é organizar o percurso do paciente dentro da rede e oferecer, em sequência mais direta, os procedimentos necessários para avaliar cada caso.
Nesta fase, apenas o pavimento térreo será utilizado. O edifício tem três andares e já conta com equipamentos como tomógrafo e aparelhos de raio-X, que entram em operação para atender a população. Os demais pavimentos não fazem parte da fase que começa em 28 de setembro.
Os atendimentos serão coordenados pela Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), dentro do programa federal Agora tem Especialistas. Os profissionais serão contratados de forma temporária, por até 120 dias, prazo que pode ser renovado. Trata-se, portanto, de um arranjo de transição, e não do modelo definitivo de funcionamento do hospital.
Como o paciente chegará ao atendimento
A regra principal é que não haverá atendimento por procura direta. O paciente será encaminhado pela rede municipal de saúde, a partir das Unidades Básicas de Saúde (UBS), e passará pela regulação antes de ser atendido. Quem já está na fila de espera da regulação municipal é o público que a estrutura deve receber nesta primeira etapa.
A divisão de tarefas também foi detalhada. A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) ficará responsável pela gestão do espaço e pela regulação dos pacientes, enquanto a AgSUS custeará a operacionalização e a contratação de especialistas durante os 120 dias previstos no acordo. Essa separação explica por que a porta de entrada continua sendo a rede municipal.
A iniciativa resulta de um termo de cooperação entre a Semusa, a Universidade Federal de Rondônia (Unir) e a AgSUS, com participação do Ministério da Saúde. A reunião de instituições diferentes foi a saída encontrada para que o prédio deixasse de ficar parado enquanto avançam as adaptações necessárias ao hospital definitivo.
Para o morador, o caminho é procurar a UBS de referência e acompanhar o encaminhamento pela regulação. Como a estrutura começa com apenas três especialidades e funciona somente no térreo, o volume de atendimentos nas primeiras semanas dependerá da demanda que a regulação enviar.
Do prédio parado ao hospital definitivo
A estrutura hospitalar foi comprada pela Prefeitura de Porto Velho em dezembro de 2025 e doada à Unir. Desde a aquisição, permanecia sem utilização. O acordo agora firmado permite que parte da capacidade do prédio seja usada pela rede pública, enquanto o processo de implantação do Hospital Universitário segue em andamento.
O acordo terá duração de até 120 dias e poderá ser renovado pelo mesmo período. Ao fim dessa fase, está prevista a transferência da administração para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, citada nas reportagens como HU Brasil. A implantação efetiva do Hospital Universitário está prevista para ocorrer ao longo de 2027, e é nesse momento que o modelo de atendimento deve mudar.
O prédio também será usado para atividades práticas de estudantes da área da Saúde da Unir. O curso de Medicina da universidade existe há mais de duas décadas e ainda não contava com um hospital universitário próprio. A proposta apresentada no anúncio é que a unidade seja 100% SUS e, ao mesmo tempo, um hospital de ensino.
Por ora, o calendário concreto é o do dia 28 de setembro. Quem depende de consulta em oftalmologia, cardiologia ou ortopedia deve procurar a UBS, e o restante do cronograma, incluindo a renovação do acordo e a transição de gestão, será definido nas próximas etapas.
Fontes:
- Rondoniagora: Hospital Universitário abre estrutura para consultas, exames e pequenas cirurgias a partir do dia 28
- Portal SGC: Hospital Universitário é entregue em Porto Velho com previsão de atendimentos pelo SUS a partir do dia 28
- Painel Político: Hospital Universitário de Porto Velho começa a atender pelo SUS dia 28
- Mídia Rondoniense: Hospital Universitário de Porto Velho começa atendimentos em 28 de setembro
- Capital Rondônia: Hospital Universitário começa a atender pacientes no dia 28 de setembro

