TRE-RO transfere para os equipamentos as informações de candidatos e de mais de 1,2 milhão de eleitores; cerimônias são abertas ao público e antecedem o primeiro turno de 4 de outubro
A menos de duas semanas da votação, a tecnologia que sustenta as eleições em Rondônia entrou na reta final de preparação. O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) realiza de 21 a 24 de setembro a carga das urnas eletrônicas, na capital e no interior, etapa em que as informações armazenadas em cartões de memória são transferidas para os equipamentos. Depois desse procedimento, as urnas são lacradas e ficam prontas para o dia da eleição.
O trabalho envolve toda a estrutura eleitoral do estado. Para estas eleições, mais de 1,2 milhão de eleitores estão aptos a votar nos 52 municípios de Rondônia, e o primeiro turno das Eleições 2026 está marcado para 4 de outubro. Um detalhe pouco conhecido pelo eleitor é que todo esse processo pode ser acompanhado de perto: as cerimônias são abertas ao público e podem ser fiscalizadas por partidos, coligações, Ministério Público, imprensa e qualquer cidadão interessado.
Do sistema de candidaturas ao cartão de memória
A preparação das urnas começa bem antes da carga propriamente dita. Primeiro ocorre o fechamento do sistema de candidaturas, quando os dados dos candidatos e outras informações necessárias para a votação são encaminhados aos sistemas responsáveis pela totalização dos votos e pela preparação das urnas. É nesse momento que a lista de quem estará disponível na tela da urna é consolidada.
Em seguida, entra em cena um software específico da Justiça Eleitoral. Os dados seguem para o GEDAI-EU (Gerenciador de Dados, Aplicativos e Interface com a Urna Eletrônica), sistema utilizado para gerar as mídias empregadas na preparação dos equipamentos. Em termos práticos, é ele que organiza e grava as informações que cada urna vai carregar em sua seção eleitoral.
A chamada geração de mídias foi a etapa anterior ao trabalho desta semana. Em Rondônia, o TRE-RO iniciou esse processo na quinta-feira (17), com previsão de conclusão no dia 18. O procedimento consiste na gravação, em cartões de memória, dos dados de eleitores e candidatos, incluindo nome, número, partido e foto dos concorrentes, além do nome, número do título, seção eleitoral e informações biométricas dos eleitores.
Como funcionam a carga e o lacre das urnas
Com os cartões prontos, as equipes passam a alimentar os equipamentos. Na etapa de carga, as informações armazenadas nos cartões de memória são transferidas para as urnas eletrônicas, e depois as memórias de votação, onde ficam registrados os dados do pleito, são lacradas nos equipamentos. O lacre funciona como uma barreira física que permite identificar qualquer tentativa de violação até o dia da votação.
O conteúdo carregado reflete a situação jurídica de cada candidatura naquele momento. A partir da carga, as urnas passam a conter os dados dos candidatos com registro aprovado e também daqueles que ainda aguardam decisão final da Justiça Eleitoral, mas seguem autorizados a fazer campanha enquanto houver recurso pendente. Por isso, a presença de um nome na tela não significa, necessariamente, que a candidatura já foi confirmada em definitivo.
Para o TRE-RO, a lógica de todo esse cuidado técnico é a confiança no resultado. O juiz da Corte Eleitoral Guilherme Baldan, que presidiu a cerimônia, afirmou que a exigência da Justiça Eleitoral e das leis é dar ao eleitor a certeza de que o candidato escolhido receberá o voto, e que quem vencer a eleição representará a vontade da maioria.
Candidatos com registro pendente seguem na urna
A dúvida sobre candidatos sub judice costuma aparecer em toda eleição, e o magistrado explicou como a tecnologia lida com esses casos. Segundo Baldan, se o candidato conseguir reverter uma decisão desfavorável em Brasília, o nome dele já estará garantido na urna; se não conseguir reverter o indeferimento, o nome continua aparecendo, mas os votos recebidos serão considerados nulos e não irão para ninguém.
O volume de candidaturas ajuda a dimensionar o trabalho de configuração dos equipamentos. O TRE-RO recebeu seis registros de candidatura para governador, seis para vice-governador, dez para senador, com 22 suplentes, 134 para deputado federal e 260 para deputado estadual. Todos esses dados, com fotos e números, precisam estar corretamente gravados nas urnas de cada seção do estado.
Para o eleitor, a recomendação prática é verificar a situação do candidato antes de ir às urnas. As informações sobre o andamento dos registros ficam disponíveis nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, e conferir esse dado com antecedência evita que o voto seja direcionado a uma candidatura que, ao fim, pode ter os votos anulados.
Fiscalização aberta ao cidadão
A transparência é um dos pontos centrais dessa fase do calendário eleitoral. As cerimônias de preparação das urnas são públicas, e qualquer cidadão interessado pode acompanhar os procedimentos ao lado de representantes de partidos, coligações, Ministério Público e imprensa. Essa abertura permite que a sociedade observe, na prática, como os equipamentos são configurados e lacrados.
O próprio tribunal trata a etapa como decisiva para a credibilidade do sistema. Baldan ressaltou que o processo é fundamental para a transparência das urnas eletrônicas, justamente por permitir que as etapas técnicas sejam feitas diante de fiscais e da população.
Com a carga concluída até quinta-feira (24), as urnas lacradas ficam prontas para o dia da eleição. A partir daí, o próximo passo decisivo acontece em 4 de outubro, quando os mais de 1,2 milhão de eleitores rondonienses aptos a votar vão às seções escolher governador, senador e deputados federais e estaduais.
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