Universidade Federal de Rondônia projeta bacharelado com foco em Ciência de Dados, Machine Learning e computação em nuvem para o próximo ano
A Universidade Federal de Rondônia trabalha na criação de um novo curso de bacharelado voltado inteiramente para a Inteligência Artificial. A proposta foi apresentada pelos professores doutores Josivan e Liliane, do Departamento de Computação da instituição, durante entrevista em que também abordaram a expansão da área tecnológica dentro da universidade e os projetos que vêm aproximando a computação da população de Porto Velho e de outras regiões do estado.
Segundo os docentes, o curso está sendo projetado para começar no próximo ano e deve reunir conhecimentos de diferentes frentes da tecnologia, como Ciência de Dados, Machine Learning, Deep Learning e computação em nuvem. A proposta acompanha o crescimento acelerado da Inteligência Artificial nos últimos anos e busca responder à necessidade cada vez maior de profissionais especializados nesse tipo de tecnologia, tanto no mercado privado quanto na administração pública.
Por que Rondônia precisa de um curso assim agora
Uma dúvida comum entre quem acompanha o tema é entender por que esse tipo de formação se tornou tão urgente. Os professores explicam que a área tecnológica já ocupa um espaço central na rotina da população, muito além do que costuma ser percebido no dia a dia. Serviços bancários, aplicativos de uso cotidiano, empresas privadas e órgãos públicos dependem hoje de sistemas digitais cada vez mais sofisticados, o que amplia de forma constante a demanda por profissionais qualificados para desenvolver, manter e aperfeiçoar essas ferramentas.
A expectativa apresentada pelos docentes é que o novo bacharelado contemple diferentes segmentos da computação, preparando estudantes para atuar em áreas que estão em plena expansão no país. Para os professores, a universidade pública tem um papel direto no desenvolvimento tecnológico do estado, já que forma profissionais e também produz soluções voltadas às necessidades específicas da sociedade rondoniense, algo que dificilmente seria replicado por iniciativas vindas de fora da região.
Projetos de extensão já aproximam a UNIR da comunidade
Mesmo antes da criação formal do novo curso, o Departamento de Computação da UNIR já mantém uma série de iniciativas voltadas a levar conhecimento tecnológico para além dos muros da universidade. Uma delas é a Semana da Computação, prevista para o mês de setembro, que deve reunir palestras, cursos e oficinas abertas à participação da comunidade, além de apresentar projetos desenvolvidos internamente pelos próprios alunos e professores da instituição.
Outra iniciativa em destaque é um projeto de extensão voltado especificamente à programação de aplicativos para celular, com o objetivo de ensinar participantes a desenvolver suas próprias ferramentas, indo além do uso cotidiano dos aplicativos que já existem no mercado. Uma das turmas foi organizada especificamente para mulheres, em uma iniciativa com cinco aulas voltadas a apresentar os primeiros conceitos de programação e desenvolvimento de aplicativos móveis, em parceria com o Instituto Federal de Rondônia, no Campus Calama, utilizando a estrutura de laboratórios da instituição parceira.
A professora responsável pela ação explicou que o objetivo é mostrar às participantes que elas também podem ocupar espaços em áreas como programação e Inteligência Artificial, historicamente ocupadas em sua maioria por homens. Segundo os professores do Departamento de Computação, embora essa turma específica tenha sido voltada às meninas, os cursos regulares oferecidos pela universidade, assim como o futuro bacharelado em Inteligência Artificial, seguem abertos a todos os interessados, com oportunidades de bolsas internas e externas para os estudantes selecionados.
Tecnologia da UNIR também chega à área da saúde
A atuação do Departamento de Computação não se limita às áreas tradicionalmente associadas à tecnologia. Os professores relataram a existência de projetos interdisciplinares que conectam a computação a outras áreas do conhecimento, como saúde e educação física. Um dos exemplos citados envolve a participação de estudantes de computação em um projeto ligado à saúde digital em Rondônia, além de pesquisas conjuntas com a área de educação física, incluindo o desenvolvimento de uma aplicação voltada ao monitoramento de sarcopenia em idosos, condição relacionada à perda progressiva de massa muscular.
A estrutura oferecida aos alunos também foi destacada durante a entrevista. O curso conta atualmente com seis laboratórios disponíveis para uso dos estudantes, incluindo espaços dedicados especificamente a redes e hardware, além de equipamentos com maior capacidade de armazenamento e processamento de dados, essenciais para projetos que envolvem Inteligência Artificial e Machine Learning. Segundo os docentes, os alunos também encontram oportunidades de estágio ao longo da graduação e podem participar de pesquisas desenvolvidas em parceria com outras áreas da universidade.
Startup acadêmica mostra potencial de Rondônia em tecnologia
Um dos exemplos mais concretos apresentados pelos professores durante a entrevista é o de uma startup formada a partir do próprio ambiente acadêmico da UNIR. De acordo com os docentes, o projeto foi contemplado em edital do Ministério da Saúde e mantém, até hoje, um convênio federal para desenvolver tecnologia em Rondônia, contando com a participação direta de alunos da universidade em todas as etapas do desenvolvimento.
Para os professores, esse tipo de iniciativa demonstra, na prática, como a formação universitária pode resultar em soluções que ultrapassam a sala de aula e chegam diretamente à sociedade, gerando emprego, renda e inovação a partir do próprio estado, sem depender exclusivamente de tecnologia desenvolvida em outras regiões do país.
A proposta defendida pelos docentes é justamente ampliar essa integração entre universidade e comunidade, oferecendo formação gratuita, projetos de extensão, pesquisa aplicada e oportunidades concretas para estudantes interessados em tecnologia, independentemente da condição socioeconômica de cada um. Com o planejamento do novo bacharelado em Inteligência Artificial, a UNIR pretende somar mais uma frente de formação à área de computação, ampliando as possibilidades para uma nova geração de estudantes rondonienses que vê no setor tecnológico um caminho cada vez mais consolidado no mercado de trabalho.
Fontes consultadas:
https://newsrondonia.com.br/educacao/2026/08/11/unir-projeta-novo-curso-de-inteligencia-artificial-em-rondonia
https://www.unir.br/homepage

