Uma garrafa plástica jogada na calçada pode parecer, a princípio, um problema isolado, resolvido assim que a coleta de lixo passar pela rua. No entanto, o percurso desse resíduo costuma ser bem mais longo do que aparenta à primeira vista. A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento – avalia que esse tipo de descarte está interligado a dois outros serviços de saneamento básico: drenagem urbana e recursos hídricos. Juntos, esses serviços formam uma cadeia que raramente é percebida pela população.
É importante ressaltar que um resíduo descartado em vias públicas nem sempre é destinado a um aterro sanitário. Em muitos casos, ele permanece na via até a próxima chuva, quando é arrastado pela água até bueiros, galerias e, eventualmente, corpos d’água próximos. Esse trajeto transforma um problema aparente de limpeza urbana em uma questão que envolve diretamente drenagem e qualidade dos rios.
Acompanhar essa trajetória auxilia na compreensão de como os resíduos sólidos, a drenagem urbana e os recursos hídricos não podem ser tratados de maneira isolada. Conforme será demonstrado neste artigo, o descarte irregular percorre esse trajeto e, por conseguinte, compromete mais de um serviço de saneamento de forma simultânea.
Como o descarte irregular de resíduos afeta a eficiência dos bueiros durante as chuvas?
Durante o período chuvoso, a água da superfície transporta consigo todos os resíduos descartados de forma irregular em ruas, calçadas e terrenos baldios. Esse material é encaminhado até bueiros e bocas de lobo, pontos de entrada do sistema de drenagem, onde frequentemente causa obstruções que reduzem a capacidade de escoamento.
A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, enfatiza que, embora um sistema de drenagem tecnicamente bem projetado seja capaz de atender às necessidades em teoria, sua eficiência prática pode ser comprometida se houver obstrução nos pontos de entrada por lixo acumulado. Nesse cenário, o problema deixa de ser exclusivamente de infraestrutura e passa a depender diretamente da gestão de resíduos sólidos da cidade.
Esse tipo de obstrução tende a se concentrar em pontos específicos, como proximidades de comércios, feiras livres ou áreas com coleta menos frequente. Isso explica por que determinados trechos de uma cidade alagam repetidamente, mesmo quando o restante do sistema de drenagem funciona sem grandes problemas.

Os sistemas de retenção são suficientes para resolver o problema da poluição nos corpos d’água?
Quando sistemas de drenagem, como bueiros e galerias, não conseguem reter os resíduos, esses materiais são levados pela água da chuva até córregos e rios. A consequência da degradação ambiental é a contaminação de corpos hídricos utilizados, em muitos casos, como mananciais de abastecimento ou áreas de lazer para a população local.
Para a EBS, esse é um dos efeitos menos discutidos do descarte irregular de resíduos, já que o impacto surge a quilômetros de distância do ponto onde o lixo foi originalmente descartado. Sistemas de retenção instalados ao longo da drenagem ajudam a reter parte desse material, mas não substituem a necessidade de coleta e destinação adequada na origem.
A presença de microplásticos, embalagens e outros resíduos nos rios constitui uma preocupação ambiental que não só afeta a fauna aquática, mas também pode interferir na qualidade da água captada a jusante para abastecimento. Esse problema, que teve origem em um simples descarte irregular nas ruas, tende a se agravar com o tempo e a expandir seu alcance.
Um problema que só se resolve na origem
A implementação de sistemas de retenção ou a manutenção mais frequente de bueiros e galerias constitui uma medida preventiva que contribui para a mitigação dos efeitos da questão. No entanto, é importante ressaltar que essa medida não representa uma solução definitiva, uma vez que não elimina a causa principal do problema. Enquanto o descarte de resíduos continuar sendo realizado de maneira irregular nas vias públicas, parte deles seguirá o curso da drenagem até chegar aos rios.
A EBS – Empresa Brasileira de Saneamento, acompanha essa cadeia como exemplo prático que demonstra a dependência mútua entre os diferentes serviços de saneamento para garantir seu funcionamento de forma eficiente. A resolução do problema em sua origem, por meio de coleta regular e conscientização sobre descarte adequado, evita que os resíduos sólidos se transformem em um problema de drenagem urbana e, consequentemente, em contaminação de rios e córregos, impactando toda a cidade.
A abordagem integrada dos serviços de resíduos, drenagem e recursos hídricos transforma a lógica de priorização de investimentos em saneamento. A abordagem isolada da coleta ou da drenagem, desconsiderando a conexão entre essas frentes, pode resultar em soluções parciais para um problema que, na prática, afeta diversas áreas da infraestrutura urbana de forma interligada.

