Executiva nacional anulou convenção estadual e vetou candidaturas majoritárias do PSB; Neidinha contesta intervenção e afirma que pretende permanecer na disputa.
A disputa interna do PSB em Rondônia ganhou repercussão nacional nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026, depois que a líder indigenista e ativista Neidinha Suruí acusou a direção nacional do partido de violência política de gênero. A Executiva Nacional decidiu barrar as candidaturas majoritárias lançadas pelo diretório rondoniense após avançar em uma aliança eleitoral com o PT no estado. A intervenção atingiu diretamente Neidinha, lançada ao Senado, e Samuel Costa, escolhido para concorrer ao Governo de Rondônia. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a decisão partidária foi tomada em 13 de agosto e determinou a dissolução do diretório estadual e a anulação da convenção realizada em 20 de julho. (Folha de S.Paulo)
Neidinha afirma que não foi procurada pelo comando nacional antes da intervenção e sustenta que sua retirada representa um episódio de violência política contra mulheres. Ela também relaciona o conflito à decisão de não apoiar Expedito Netto (PT) na disputa pelo Governo de Rondônia, citando divergências políticas e ambientais. A direção nacional do PSB apresenta uma versão diferente: segundo o partido, o diretório estadual descumpriu orientações da legenda ao não submeter previamente as candidaturas majoritárias ao comando nacional. Integrantes do grupo estadual contestam essa interpretação e argumentam que a exigência não se aplicaria da maneira defendida pela Executiva. (Folha de S.Paulo)
A crise ocorre poucos dias depois do início oficial da campanha eleitoral e ainda pode produzir consequências na Justiça Eleitoral. Neidinha e Samuel Costa afirmaram que continuarão suas agendas e anunciaram intenção de recorrer judicialmente caso a intervenção resulte na retirada efetiva de suas candidaturas. Reportagens regionais publicadas nos últimos dias mostram que ambos passaram a tratar o conflito como uma disputa jurídica e política contra a decisão da Executiva Nacional. (Diário da Amazônia)
Por que o PSB decidiu barrar as candidaturas em Rondônia?
O ponto central da crise é a diferença entre a estratégia construída pelo PSB de Rondônia e a articulação definida posteriormente pela direção nacional. Em julho, a convenção estadual havia referendado Samuel Costa para o Governo e Neidinha Suruí para o Senado. O próprio PSB divulgou oficialmente, em 21 de julho, que a legenda havia lançado os dois nomes durante a convenção realizada em Porto Velho, mostrando que as candidaturas chegaram a ser apresentadas publicamente pela estrutura partidária antes da intervenção nacional. (PSB 40)
O cenário mudou com a aproximação nacional do PSB com o PT em Rondônia. De acordo com a Folha, a Executiva decidiu dissolver o diretório estadual e anular a convenção, sob o argumento de que as candidaturas deveriam ter sido submetidas previamente ao comando partidário e de que a direção local teria desrespeitado as diretrizes da legenda. O PSB passou a trabalhar em uma composição com PT e PV e indicou Rosângela Cipriano para uma candidatura ao Senado dentro da nova chapa. Até a publicação da reportagem desta quarta-feira, porém, esse novo nome ainda não havia sido registrado no TSE. (Folha de S.Paulo)
Por que Neidinha fala em violência política de gênero?
Neidinha sustenta que a maneira como a decisão foi tomada ultrapassa uma simples divergência partidária. A candidata afirma que não participou das negociações que culminaram na retirada de seu nome e considera que houve tentativa de silenciamento de sua candidatura. Antes mesmo da reportagem nacional desta quarta-feira, ela já havia divulgado manifestações afirmando sofrer pressões para abandonar a disputa e dizendo que buscaria autoridades competentes caso considerasse necessário. (News Rondônia)
É importante diferenciar a acusação feita pela candidata de uma conclusão jurídica. Até aqui, as fontes consultadas registram que Neidinha classifica o episódio como violência política e de gênero, enquanto o PSB justifica a intervenção como consequência de uma disputa sobre cumprimento das diretrizes partidárias. Portanto, não é correto afirmar como fato consumado que o partido praticou violência política; essa é a denúncia apresentada por Neidinha e poderá depender de eventual análise das autoridades competentes. (Folha de S.Paulo)
O que pode acontecer com as candidaturas agora?
Neidinha e Samuel Costa afirmam que pretendem continuar suas atividades políticas e contestar judicialmente qualquer medida que impeça suas candidaturas. Samuel classificou a intervenção como arbitrária e sustentou que a decisão poderá ser questionada perante a Justiça Eleitoral. Neidinha, por sua vez, reiterou que deseja permanecer na disputa pelo Senado e afirmou que adotará as medidas cabíveis para defender sua candidatura. (SGC)
O episódio cria uma situação particularmente relevante para o eleitor de Rondônia porque interfere diretamente na composição das chapas que disputarão os principais cargos do estado. Caso a decisão nacional prevaleça, o PSB deixará de seguir com a configuração aprovada originalmente em sua convenção estadual e passará a integrar outra composição eleitoral. Se houver contestação judicial, caberá à Justiça Eleitoral analisar os argumentos apresentados e os efeitos das decisões partidárias sobre os registros das candidaturas.
A repercussão desta quarta-feira transforma a crise do PSB em uma das principais pautas políticas do início da campanha em Rondônia. Além da discussão sobre autonomia partidária e alianças eleitorais, o caso envolve representação feminina e indígena em uma disputa para o Senado. Para o eleitor, o ponto mais importante agora será acompanhar as decisões partidárias e eventuais manifestações da Justiça Eleitoral, porque são elas que determinarão quais candidaturas estarão efetivamente habilitadas a seguir na eleição de outubro. (Folha de S.Paulo)
Fontes: Folha de S.Paulo — reportagem publicada em 19/08/2026 · PSB — lançamento original das candidaturas em Rondônia · News Rondônia — reação judicial de Neidinha e Samuel Costa

