Segunda edição da maratona reuniu 68 participantes em 12 equipes para desenvolver projetos de reciclagem, economia circular e valorização dos catadores
Porto Velho recebeu entre os dias 14 e 16 de agosto de 2026 a segunda edição do Béra Hackathon, uma maratona de inovação que mobilizou estudantes universitários, profissionais, empreendedores e pessoas interessadas em tecnologia para desenvolver soluções relacionadas à gestão de resíduos sólidos.
Realizado na Biblioteca Municipal Francisco Meireles, o evento colocou tecnologia e empreendedorismo a serviço de problemas concretos da capital de Rondônia. Durante aproximadamente três dias, as equipes trabalharam na elaboração, teste e validação de propostas relacionadas à reciclagem, logística, geração de renda, sustentabilidade e economia circular. (Prefeitura de Porto Velho)
A iniciativa foi promovida pela Prefeitura de Porto Velho, por meio da Agência Reguladora e de Desenvolvimento de Porto Velho (ARDPV), em parceria com o Sebrae/RO e a Superintendência Municipal de Tecnologia da Informação e Pesquisa (SMTI). (Prefeitura de Porto Velho)
Tecnologia para enfrentar um problema urbano
O desafio central da edição de 2026 foi encontrar maneiras inovadoras de melhorar a cadeia de resíduos sólidos de Porto Velho.
Em vez de trabalhar apenas com desafios teóricos, os participantes foram estimulados a desenvolver soluções que pudessem responder às necessidades da cidade e das pessoas que trabalham diretamente com materiais recicláveis.
A edição esteve conectada ao Pró-Catador, direcionando tecnologia, criatividade e empreendedorismo para propostas capazes de fortalecer a reciclagem e valorizar economicamente a atividade dos catadores. (Prefeitura de Porto Velho)
Além da dimensão ambiental, a proposta buscou estimular a criação de novos negócios e aproximar universidades, empresas, poder público e sociedade civil.
68 inscritos e 12 equipes
A segunda edição contou com 68 participantes inscritos, divididos em 12 equipes.
Os grupos receberam nomes como Samaúma, Recicl App, PortoRec, Amazonic Tecnologies, Eco.ro, Pangiz, Catação PVH, PVH Teach, Ecolink, Causos, Café Verde e Madeira Hacker Club. (Prefeitura de Porto Velho)
A diversidade das equipes permitiu reunir conhecimentos de diferentes áreas, característica importante da metodologia dos hackathons. O objetivo é fazer com que pessoas com experiências distintas trabalhem juntas para construir rapidamente uma solução para determinado problema.
Durante o evento, os participantes tiveram acesso a mentorias especializadas, profissionais do setor, empreendedores e representantes de cooperativas para aprimorar e validar suas propostas. (Prefeitura de Porto Velho)
Quatro grandes desafios
Os projetos foram organizados em torno de quatro desafios ligados à cadeia de resíduos sólidos.
O primeiro, denominado Origem Limpa, buscou soluções capazes de aumentar a quantidade de materiais efetivamente recicláveis e reduzir a presença de rejeitos já na origem.
O segundo foi o Catador 4.0, concentrado no uso da tecnologia para aumentar a produtividade e contribuir para a ampliação da renda dos trabalhadores envolvidos na coleta de recicláveis.
O terceiro desafio, chamado Rota Circular, colocou a logística no centro das discussões. As equipes deveriam pensar em formas mais inteligentes de organizar a movimentação e coleta dos materiais.
Por fim, o eixo Amazônia Circular trabalhou questões como rastreabilidade dos resíduos, utilização de dados e desenvolvimento de novas possibilidades de geração de receita. (Prefeitura de Porto Velho)
Sustentabilidade encontra transformação digital
Um dos principais aspectos do Béra Hackathon é a combinação entre sustentabilidade e transformação digital.
Aplicativos, sistemas de gerenciamento, análise de dados, rastreamento e outras ferramentas digitais podem contribuir para resolver problemas existentes em diferentes etapas da reciclagem.
No caso dos catadores, por exemplo, a tecnologia pode ajudar na organização de rotas, identificação de pontos de coleta, conexão com fornecedores de materiais recicláveis e compradores, acompanhamento da produção e planejamento das atividades.
O evento, portanto, não tratou a inovação apenas como desenvolvimento de software, mas como instrumento para aumentar eficiência, criar oportunidades econômicas e melhorar serviços relacionados à gestão urbana.
Participantes buscam soluções que possam sair do papel
Entre os participantes estava o estudante de Ciência da Computação João Henrique, integrante da equipe Café Verde. Ele já havia participado da edição anterior e retornou ao hackathon buscando aproveitar a experiência adquirida.
Segundo o estudante, a participação permite colocar em prática conhecimentos da universidade e desenvolver soluções com potencial para contribuir concretamente com a cidade. (Prefeitura de Porto Velho)
Outro participante destacado pela organização foi Cauan Alexandre, também universitário de Ciência da Computação e integrante da equipe Madeira Hacker Club.
O grupo chegou à competição depois de estudar previamente o desafio e pesquisar possibilidades de aplicação da tecnologia ao trabalho dos catadores. (Prefeitura de Porto Velho)
As experiências mostram uma das propostas centrais do evento: aproximar a formação acadêmica dos problemas enfrentados pela população.
Projetos passam por mentoria e validação
A metodologia utilizada acompanhou os participantes desde a formação das equipes até a apresentação dos projetos.
Durante aproximadamente dois dias e meio, os grupos passaram por etapas de desenvolvimento, testes e validação das propostas.
Mentores e especialistas ajudaram os participantes a identificar falhas, avaliar a viabilidade das ideias e aperfeiçoar os projetos antes da apresentação final. Representantes ligados à reciclagem também participaram do processo, aproximando as soluções da realidade do setor. (Prefeitura de Porto Velho)
Esse modelo procura evitar que as equipes desenvolvam projetos desconectados das necessidades práticas da cidade.
Competição termina com apresentação para banca
A etapa decisiva foi programada para o domingo, 16 de agosto, último dia do hackathon.
As equipes apresentaram seus projetos a uma banca de especialistas, responsável pela avaliação das propostas e escolha das três melhores soluções da edição. (Prefeitura de Porto Velho)
Além do reconhecimento e das premiações previstas, o regulamento estabeleceu um incentivo especial para a equipe classificada em primeiro lugar: uma viagem com despesas custeadas pelo Sebrae Rondônia para participação em um evento nacional de inovação. (Prefeitura de Porto Velho)
A iniciativa procura dar continuidade à experiência depois da maratona, permitindo que os participantes ampliem contatos e tenham acesso a outros ambientes de inovação.
Hackathon também fortalece ecossistema tecnológico de Rondônia
O Béra Hackathon faz parte de uma movimentação mais ampla para aproximar estudantes, desenvolvedores, designers, empreendedores e instituições públicas do ecossistema de inovação de Rondônia.
Porto Velho recebeu, em agosto, outras iniciativas semelhantes. Entre 7 e 9 de agosto, por exemplo, ocorreu o EMERON.code, voltado ao desenvolvimento de protótipos digitais relacionados à modernização dos serviços do sistema de Justiça. (Rondônia Dinâmica)
Já o Béra direcionou essa capacidade tecnológica para sustentabilidade e gestão urbana.
A estratégia ajuda a criar oportunidades para que profissionais e estudantes utilizem conhecimentos técnicos para solucionar problemas existentes no próprio estado.
Economia circular ganha espaço
A gestão de resíduos tornou-se também uma questão econômica.
Materiais descartados podem retornar às cadeias produtivas, reduzindo desperdícios e criando oportunidades de renda. É nesse contexto que aparece o conceito de economia circular, um dos temas centrais da edição.
Antes do hackathon, Porto Velho também realizou o 1º Seminário Porto-Velhense de Resíduos Sólidos, em 14 de agosto, reunindo especialistas, gestores, pesquisadores, empreendedores e representantes da sociedade civil para discutir sustentabilidade, inclusão produtiva, economia circular e inovação. (Rondônia Dinâmica)
O seminário marcou a abertura da segunda edição da maratona e ajudou a conectar os desafios tecnológicos às discussões mais amplas sobre o futuro da gestão de resíduos da capital.
Inovação voltada às necessidades de Porto Velho
Ao reunir 68 participantes, 12 equipes e quatro grandes desafios, o Béra Hackathon 2026 mostrou uma tentativa de transformar conhecimento tecnológico em projetos ligados diretamente às necessidades urbanas de Porto Velho.
Mais do que uma competição de programação, a iniciativa buscou aproximar academia, empresas, poder público e sociedade para discutir maneiras de melhorar a reciclagem, tornar a logística dos resíduos mais eficiente e fortalecer o trabalho dos catadores.
A expectativa agora é que as propostas desenvolvidas durante a maratona possam avançar além da etapa de protótipo e contribuir para novas iniciativas de sustentabilidade e inovação na capital rondoniense.
Fontes: Agência de Notícias da Prefeitura de Porto Velho, Prefeitura de Porto Velho, Sebrae Rondônia e Rondônia Dinâmica. (Prefeitura de Porto Velho)

